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13.2.09
LONDRES - O Ministério Público britânico anunciou nesta sexta-feira que policiais britânicos que mataram a tiros o brasileiro Jean Charles de Menezes há quase três anos numa estação de metrô de Londres não serão submetidos a julgamento por crime. A decisão foi tomada promotores que fizeram uma revisão do caso. Em dezembro, um júri havia anunciado um veredicto "inconclusivo" após um inquérito judicial sobre a morte de Jean Charles, que foi confundido com um terrorista, em 22 de julho de 2005. Segundo o veredicto, a morte não poderia ser descrita como "morte legal e justificada".
Responsável por revisar as provas, o advogado Stephen O'Doherty disse que não foram apresentadas novos indícios que sugerissem que a decisão anterior da Promotoria, de não julgar qualquer dos policiais envolvidos, tivesse sido equivocada. Ele disse que avaliou se os policiais agiram em autodefesa ou se mentiram para a Justiça.
- Houve algumas incoerências no que os policiais disseram no inquérito, mas também houve incoerências nos depoimentos dos passageiros - disse ele. - Concluí que, na confusão do que aconteceu naquele dia, o júri não pôde ter certeza se algum policial propositalmente fez um relato falso dos acontecimentos.
Eletricista de 27 anos que vivia e trabalhava em Londres, Jean Charles foi morto com sete tiros na cabeça disparados por dois policiais especializados no uso de armas de fogo - identificados apenas como Charlie 2 e Charlie 12 - em frente a outros passageiros, no momento em que subia num trem do metrô na estação de Stockwell.
Policiais à paisana confundiram Jean Charles com Hussein Osman, um dos quatro radicais islâmicos que haviam tentado explodir bombas na rede de transportes públicos de Londres no dia anterior. Os atentados fracassados em questão tentariam repetir os quatro piores ataques já realizados contra Londres em tempos de paz: duas semanas antes, quatro homens-bomba mataram 52 pessoas em trens do metrô e um ônibus.
O inquérito concluído em dezembro foi o quinto sobre a morte de Jean Charles. As investigações mostraram que uma série de equívocos de comunicação levaram os policiais armados, que se atrasaram para chegar ao local, a pensar que Jean Charles estivesse prestes a detonar uma bomba. Testemunhas desmentiram declarações segundo as quais os policiais teriam gritado "polícia armada!" ao brasileiro antes de disparar contra ele.
De acordo com as testemunhas, alguns dos policiais pareciam "descontrolados". O júri confirmou os relatos dos passageiros, dizendo que não foram dados avisos prévios e que Jean Charles não avançara em direção aos policiais, ao contrário do que eles afirmaram.
Em 2007, a polícia londrina foi condenada a pagar multa por desrespeitar regras de saúde e segurança antes do disparo de tiros, mas a Promotoria excluiu a possibilidade de processar policiais individualmente, incluindo oficiais que atuavam na sala de operações da polícia.
O incidente prejudicou a reputação da polícia de Londres e contribuiu para a renúncia, no ano passado, do ex-chefe da Scotland Yard Ian Blair, que foi fortemente criticado por sua atuação após o incidente.


link do postPor anjoseguerreiros, às 14:44  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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