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16.2.09
RIO - Os cabos que ligam aparelhos eletroeletrônicos entre si estão com os dias contados - e a multiplicação dos notebooks é apenas o sinal mais aparente de uma morte vaticinada há tempos pela indústria. O sonho da rede digital doméstica sem fios começa a se tornar realidade através de soluções que permitem não só a troca wireless de dados entre dispositivos mas também a extinção do cabo que liga os equipamentos à energia elétrica, assim como a criação de padrões que permitirão que aparelhos de marcas diferentes conversem uns com os outros sem a necessidade de cabos USB que viabilizem oNo front da batalha contra os fios estão iniciativas como o desenvolvimento de fontes alternativas de energia, como indução magnética e energia solar, assim como a inserção de tecnologias já consagradas como Bluetooth e Wi-Fi em equipamentos de uso doméstico, tais como home theathers, aparelhos de som e TVs, isso sem falar nos notebooks, netbooks, smartphones e PDAs, impressoras, multifuncionais e outros.
Para extinguir o cabo de força para carregamento de portáteis foi criada uma tecnologia via indução magnética, que permite que um aparelho em formato de mousepad alimente outros gadgets apenas recebendo-os em cima dele. Tal tecnologia permite carregar aparelhos com necessidades energéticas e voltagens diferentes.

Foi a empresa WildCharge a responsável pelo lançamento do WildCharge, o tal "mousepad" que usa indução magnética. Funciona assim: celulares como o Motorola Razr, o BlackBerry Pearl, o BlackBerry Curve e o iPhone recebem uma "pele", espécie de capinha e, uma vez encostados no WildCharge Pad, ganham vida nova.

A Powermat também lançou, na Consumer Eletronics Show, feira que aconteceu em janeiro em Las Vegas, um carregador em formato de mousepad batizado de "mat". A novidade, que custa US$ 100, usa indução magnética para transferir eletricidade a aparelhos através de um receiver (US$ 30), dotado de um chip capaz de dizer ainda de quanta energia o aparelho precisa e avisar quando ele já está recarregado.

Segundo Fabio Gandour, cientista-chefe da IBM, há pesquisas de todos os tipos visando a acabar com o cabo da energia elétrica, inclusive estudos envolvendo a Sonoquímica, área promissora que estuda a relação de compostos químicos que têm grau de ativação por frequência sonora (ultrassom), inaudível ao ouvido humano.

- A tampa do meu notebook pode ter o revestimento de um sonoquímico e em algum lugar do ambiente pode ser usada uma frequência sonora que possibilitaria a criação de energia para fazer o notebook funcionar - diz Gandour.

Outra boa notícia será anunciada esta semana, durante o Mobile World Congress 2009, congresso de de telecomunicações que acontece em Barcelona: trata-se do lançamento, pela Samsung, do Blue Earth, celular touchscreen que é alimentado por energia solar. O recarregamento é feito por um painel localizado na parte de trás do aparelho.

Sobre a indução magnética, Fabio Gandour diz que ela vale para gadgets portáteis, mas que seria impraticável para o carregamento de grandes aparelhos, como geladeiras, uma vez que gera perdas brutais por dissipação e aquecimento. Para ele, a saída pode estar nos estudos de energia elétrica gerada por luz (citando o caso do relógio EcoDrive, da Citizen, que é analógico mas mantido por energia extraída da luz ambiente) e água pura, assim como os estudos de aplicação de energia solar que resultaram no lançamento do Samsung Blue Earth Phone.

Se a tecnologia explorada pelo WildCharge e pelo "mat" podem ser a saída para o fim do uso da energia elétrica para carregamento de pequenos aparelhos, há tecnologias novas em folha sendo criadas com o intuito de eliminar os cabos para transmissão de dados entre equipamentos, como o cabo USB. Uma delas é a Ultra-Wideband (UWB), que poderia substituir a maior parte dos fios, desde aquele que conecta o iPod ao computador até os que conectam televisores a receptores de TV por assinatura, dentre outros. A limitação ainda está na possibilidade de interferência da UWB no funcionamento de outros aparelhos que usam sinais de rádio.

A primeira versão do UWB aplicada à nossa realidade chegará sob a forma de cabos USB wireless, que não exigirão a conexão física com aparelhos. Há fabricantes, como Belkin e D-Link, planejando o lançamento comercial de uma série de produtos do tipo. Deixando claro que em algum momento um carregamento via energia elétrica seria inevitável - mas aí entraria uma solução combinada, que poderia ser a da WildCharge.

A partir daí, o USB Wireless funcionaria como uma espécie de hub, capaz de carregar todos os outros aparelhos de forma remota. A limitação? Por enquanto, a de software - tanto a Microsoft quanto a Apple, dentre outras, teriam de se interessar pela adaptação da tecnologia em seus sistemas operacionais, o que está previsto para começar a sair do papel ainda este ano. A boa notícia é que já há fabricantes como a Lenovo e a Toshiba que estão instalando, em seus notebooks, adaptadores para USB Wireless.

A quantidade de fontes e conectores despadronizados ainda é um entrave grave para a criação de ambientes domésticos wireless. Para Gandour, a indústria de conectores merecia uma intervenção até das Nações Unidas. Outra barreira para a mobilidade total é a quantidade de cabos que um usuário de notebook precisa carregar consigo, uma vez que aparelhos diferentes usam conectores e cabos variados.

O especialista Paulo Couto, editor do Fórum PCs afirma que o grande desafio da indústria é a falta de padronização e consequente excesso de fontes de alimentação. Além disso, de que adianta ter um notebook se este exige carregamento constante, já que as baterias têm pouquíssima autonomia? Pior: para plugar aparelhos a este, são necessários carregadores de todos os tipos.

- A quantidade de fontes e cabos é absurda.Você precisa de uma fonte para o notebook, outra para o iPod, outra para o PDA e assim vai. O ideal seria a adoção, no notebook, de uma fonte múltipla, que pudesse alimentar todo tipo de aparelho, mas para isso é necessária uma padronização por parte da indústria, uma vez que cada aparelho tem amperagem e voltagem diferentes - diz Paulo. - Isso poderia, no entanto, ser alterado. O USB, por exemplo, também carrega aparelhos e a entrada USB do notebook podia ser usada para carregar outros aparelhos, como celulares e PDAs. Isso eliminaria vários cabos.

Padronizar pode ser mesmo o segredo do sucesso para a construção de um mundo sem fio. Foi pensando nisso que surgiu a Digital Living Network Alliance (DLNA), entidade criada em 2003 e liderada por empresas do porte de Sony, Intel, Nokia, HP, Microsoft, Samsung, dentre outras. O objetivo principal é viabilizar redes digitais domésticas, através da comunicação simplificada e integração de produtos como TVs, computadores, smartphones, aparelhos de som, DVDs players, MP3 players, assim como criar tecnologias wireless seguras.

A DLNA, que poderia ser definida como um plug and play universal, rendeu frutos concretos e já chegou até em telefones celulares "DLNA Certified", como o modelo C905, da Sony Ericsson, que incorpora a tecnologia DLNA para troca de dados com outros equipamentos que porventura usem DLNA. A câmera digital Sony DSC-G1, assim como a linha de TVs Bravia, também já trazem DLNA na veia.

Para Américo Tomé, gerente de novas tecnologias da Intel, a eliminação dos cabos é uma tendência inevitável e só o tempo dirá se será possível a concretização do sonho do ambiente totalmente sem cabos. Que pode se dar, diz Américo, com a criação de padrões.

- Há equipamentos que só se comunicam, sem fio, com outros da mesma marca. Mesmo que existam tecnologias que permitam o fim dos cabos, você não tem a flexibilidade de escolha porque há produtos trabalhando com sistemas proprietários. Acreditamos na padronização como forma de acelerar a adoção da mobilidade total - diz Américo.

Durante a CES, a Intel anunciou uma nova tecnologia batizada de MY Wi-Fi, que permite a criação de redes sem fio sem a exigência do acess point (ponto de acesso à internet). Assim, um notebook seria capaz de criar sua própria rede e conversar, nesta mesma rede, com até oito aparelhos, como impressoras, câmeras digitais, smartphones, etc. Elimina-se assim, todos os cabos, em efeito cascata.

- Se você levar seu notebook para a casa de um amigo, ele será capaz de criar uma rede Wi-Fi lá e se comunicar, por exemplo, com a câmera digital do tal amigo. Você carrega sua rede Wi-Fi com você - diz.

A mobilidade total também só se dará com uma maior autonomia de bateria por parte daquele que é chamado o coração de uma rede doméstica sem fio: o notebook. A boa notícia é que já há soluções que permitem autonomias de até 24 horas. Da Intel veio a tecnologia SSD (Solid State Drives), o substituto do HD sem partes móveis (leia boxe).

- A indústria se move para desenvolver tecnologias que consumam menos energia - diz Américo.

A HP já planeja lançar notebooks com SSD, aumentando a autonomia dos portáteis para no mínimo 24 horas, dando maior mobilidade ao usuário que fica, assim, menos refém dos cabos. Ao mesmo tempo, a fabricante tem buscado inserir, nos laptops, novas tecnologias wireless, que já saem embarcadas de fábrica. Um exemplo é o uso de modems 3G integrados em notebooks que passam, assim, a dispensar tanto os cabos para acesso à internet via DSL ou cable modem quanto pen drives e modems USB 3G.

Segundo Valéria Molina, diretora de Computação Pessoal para consumo da HP Brasil, todos os notebooks da família Pavillion já saem de fábrica com Bluetooth e Wi-Fi; já os do clã Compaq Presario trazem Wi-Fi integrado.

Outro lançamento da HP mostrou que a vida quase totalmente sem fio já é possível: o media center TouchSmart, desktop com tela LCD sensível ao toque, dispensa todos os cabos ao integrar webcam, microfone, TV, infravermelho e ao usar teclado e mouse sem fio. O único cabo usado pela máquina, diz ela, é o da energia elétrica.

- Cada vez mais pessoas buscam a mobilidade, e os fios são um grande empecilho - completa Valéria.


link do postPor anjoseguerreiros, às 12:25  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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