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22.2.09


Familiares das crianças também receberão apoio social e psicológico; algumas crianças estão traumatizadas



CATANDUVA - Vinte e três crianças que tiveram contato com integrantes de uma suposta rede de pedofilia de Catanduva, no interior de São Paulo, serão enviadas nos próximos dias para tratamento com psicólogos e assistentes sociais, assim como seus pais e responsáveis, todos moradores nos bairros Cidade Jardim e Jardim Alpino, periferia da cidade. A informação foi dada nesta quinta-feira, 19, pela juíza Sueli Juarez Alonso, da Vara da Infância e da Juventude da Comarca.
As crianças foram relacionadas no primeiro inquérito policial que constatou que pelo menos dez delas teriam sido molestadas de alguma forma pelo borracheiro José Barra Nova Melo, de 49 anos, preso em 15 de janeiro, e pelo seu sobrinho, William Melo Souza, de 19, que foi colocado em liberdade na última sexta-feira por um habeas corpus. Os dois são processados por atentado violento ao pudor e divulgação de imagens pornográficas de crianças.
Mas não seriam apenas os dois pedófilos e dez crianças abusadas. "A estimativa é de que pelo menos 47 crianças tenham sido abusadas", diz a juíza. Por isso, um segundo inquérito, aberto nesta terça-feira por determinação da Justiça, apura a participação de pessoas ricas - entre eles, um empresário, o filho de um médico e um comerciante, todos de famílias de projeção na sociedade. O segundo inquérito foi aberto porque no primeiro a polícia teria omitido a participação dessas pessoas, apesar das denúncias feitas por pais e crianças. O caso será apurado pela Corregedoria da Polícia Civil.
Essas pessoas fariam parte de uma quadrilha de pedófilos, que além de filmar, fotografar e molestar as crianças, teria obrigado os menores a usar drogas - há relato de um menino de 7 anos que cheirou cocaína antes de ser submetido a sessões de abuso. As imagens serviriam para alimentar uma rede de pornografia infantil - nesta quinta-feira a Polícia Civil fez diligências numa lan house onde as próprias crianças acessariam as imagens de outras crianças nuas. A lan house fica nas proximidades dos dois bairros, mas até a noite de quinta a polícia não tinha concluído a diligência.

Momentos de terror

"A medida (enviar as 23 crianças para tratamento) visa reduzir os impactos psicológicos sofridos pelas crianças e seus familiares, que estão passando por momentos de terror. Pais não reconhecem mais os filhos e as crianças já estão sendo estigmatizadas", declarou a juíza, a mesma que atuou no caso de Porto Ferreira, onde seis vereadores foram presos por pedofilia.
Entre as crianças estão três de uma mesma família - duas meninas, de 6 e 8 anos, e um menino, de 10, que foram molestadas pelos pedófilos e estão sendo mantidas em esconderijo junto com os pais. "Fomos ameaçados e ainda ontem (quarta-feira) um homem parou e ameaçou meu filho na frente de câmeras de TV, que estavam no bairro", contou J. S., pai das crianças. "Isso acontece porque eles (pedófilos) têm certeza da impunidade", afirmou.
Nos dois bairros não é difícil encontrar mães cujos filhos mantiveram contato com os pedófilos suspeitos. "Minha filha de 6 anos mudou totalmente o comportamento e a outra menina (de 8) está ansiosa. Já o menino diz que não teve qualquer relação com esses pedófilos, mas não sei se isso é verdade, porque ele evita sempre o assunto", contou C. R. P., uma das mães que primeiro procurou a polícia depois que o menino apareceu em casa com fotos feitas pelo borracheiro.
"Trata-se de uma situação devastadora para a cabeça dessas pessoas. Uma avó contou que o neto passava várias horas jogando vídeo game na casa do borracheiro. O menino está muito mal de saúde, assim como há crianças com doenças venéreas", contou Geraldo Corrêa, líder comunitário que mantém a ONG Instituto Pró-Cidadania, na Vila Alpino, e um dos que liderou o movimento para denunciar a existência de pessoas ricas no crime de pedofilia.
A situação é tão dramática que o diretor da escola do bairro - um dos primeiros a desconfiar do comportamento dos garotos da escola fez levantamento e constatou que pelo menos 47 crianças teriam se envolvido de alguma forma com os pedófilos.

Chico Siqueira - especial para o Estado de São Paulo
link do postPor anjoseguerreiros, às 16:26  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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