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1.1.09
CANAL DO PANAMÁ

RIO - Numa época em que nem se sonhava com emails ou celular, os antigos cartões-postais tinham uma função mais nobre do que ser um complemento às fotos digitais ou aos vídeos que, hoje, fazemos de nossas viagens. Eram, muitas vezes, os únicos registros de aventuras mundo afora no começo do século XX. Mais do que paisagens, retratavam dos costumes de então (famílias reunidas ou trabalhadores exercendo seus ofícios) a flagrantes quase jornalísticos (catástrofes naturais ou festejos religiosos). Em "Do Brasil para as Américas" (Solaris Edições Culturais), os autores João Emilio Gerodetti e Carlos Cornejo reuniram quase 700 postais produzidos, no máximo, até a década de 40. Uma narrativa das Américas de outrora, da Groenlândia à Terra do Fogo... ( Confira alguns dos postais publicados no livro )
O livro "Do Brasil para as Américas" é uma compilação de 688 cartões-postais, apresentados como se registrassem uma viagem pelas Américas, partindo do Rio (cidade que, aliás, ilustra a capa da obra, numa encantadora imagem de 1910 da Avenida Central, hoje Rio Branco, com o Pão de Açúcar ao fundo). A jornada segue pelo Brasil - São Paulo, Manaus, Belém, Recife, Salvador e Porto Alegre - e logo começa a explorar os países vizinhos. Desce até o extremo Sul, passando por hermanos como Argentina, Uruguai e Chile. Depois, sobe rumo à Groenlândia, visitando a América Central e atravessando a América do Norte. Por fim, o Caribe entremeia a expedição imaginária.
Engenheiro químico e administrador por formação, João Emilio Gerodetti é um aficionado colecionador de postais desde que era menino. Conheceu na década de 90 o jornalista e escritor Carlos Cornejo, também pesquisador de História, e não tardou para que os dois se unissem numa série de sete projetos, que começou com o agora esgotado "Lembranças de São Paulo - A capital paulista", e inclui livros sobre as capitais, os portos e as ferrovias do país. Ao todo, são mais de 3.700 imagens, nunca repetidas, contando o passado por meio de postais. Ambicioso, o projeto das Américas é o mais recente fruto da extensa pesquisa histórica e bibliográfica da dupla.
- A maioria das imagens é de minha coleção pessoal, mas uns 20% são empréstimos de amigos. Datam principalmente de 1890 a 1940 - diz Gerodetti, hoje com 69 anos.
As 240 páginas de "Do Brasil para as Américas" desfiam curiosidades como índios ainda fiéis a seus costumes em Roraima, Rondônia ou Espírito Santo. Na Argentina, carruagens aparecem diante dos jardins de Palermo, em Buenos Aires, em 1902, enquanto um bonde passa diante da Casa Rosada em 1910. Nas Ilhas Malvinas, pingüins ilustram postais; na Terra do Fogo, indígenas cobertos de peles são retratados.
No Peru, a Plaza de Armas de Cuzco aparece ainda não descoberta pelos turistas, e, na Colômbia, vêem-se as muralhas e a Torre do Relógio da Cartagena, símbolos da charmosa cidade. No Caribe, o leitor descobre corridas no hipódromo, plantações de açúcar e fábricas de charutos em Cuba, por volta de 1915; vê Martinica superando a tragédia causada pelo vulcão Pelée, em 1902, e conhece paraísos como Bahamas, Santa Lúcia e Curaçao, bem antes da era dos grandes resorts.
Se hoje trocam-se e-mails e mensagens por celular, no começo do século XX trocavam-se cartões-postais. Para muitos, era a melhor maneira de apresentar os locais onde viviam ou pelos quais passavam a amigos e familiares, explica João Emilio Gerodetti, co-autor de "Do Brasil para as Américas". Eram relatos de uma época. Mostravam praças e igrejas, claro. Mas também divulgavam enchentes, incêndios e catástrofes como o terremoto que devastou São Francisco, nos EUA, em 1906.
- Os postais eram muito bem produzidos, por fotógrafos experientes, e tinham ótimo acabamento. Isso num tempo em que nem existia Photoshop - brinca. - E acho interessante como apresentavam, além de paisagens, povos como os inuítes da Groenlândia, ou as moças descendentes de antigas civilizações no Panamá ou no México, trajando tradicionais roupas coloridas.
Gerodetti costuma engordar seu acervo visitando feiras de antiguidades no Rio e em São Paulo, e fora, em cidades como Nova York ou Paris. Mas a internet também o ajuda muito na compilação. Em especial quanto a destinos que não eram exatamente capitais turísticas no século XX.
- Não é difícil conseguir postais de lugares como Nova York, por exemplo - lembra. - Agora, achar um da caribenha Granada, ou de Belize, já não é tarefa tão simples. Precisamos fuçar em sites e em feiras especializadas.


ESSE É VALIOSO...DEVEMOS PROCURAR!


link do postPor anjoseguerreiros, às 18:43  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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