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19.1.09

A empresária Ivanilde Vieira Serebrenic (foto) é a segunda mulher que sai do anonimato para acusar o médico Roger Abdelmassih de abuso sexual. A primeira foi a fotógrafa Monika Bartkevitch, 43, que deu entrevista à Folha.


Relato da empresária Ivanilde Vieira Serebrenic à Istoé:


"Era um final de tarde. Eu e meu marido fechamos um pacote com três tentativas de fertilização por cerca de R$ 32 mil, em 1999, com o próprio Roger Abdelmassih. No mesmo dia, colhi sangue e fiz um ultrassom intravaginal. O exame apontou um problema em uma das minhas trompas. Marcamos a cirurgia para uma semana depois. Dias após a operação, voltei na clínica para a retirada de um ponto no umbigo .No procedimento, ele sangrou, tive muita dor e entrei chorando na sala do dr. Roger. Enquanto me consolava, ele dizia: 'Você é uma paciente, está em um momento delicado da vida.' Ele me abraçou e, enquanto eu chorava, tentou me beijar. Como eu estava com batom vermelho, virei o rosto e manchei o jaleco dele. Saí da sala e fui embora sozinha. Meu marido estava viajando, na época. Parei em um posto de gasolina e fui ao banheiro. O cheiro do dr. não saía de mim, aquele cheiro de éter. Como já tinha pago o pacote de fertilizações, havia feito uma operação para a retirada da trompa, optei por iniciar o tratamento. Voltei à clínica quase dois meses depois. Lá, fui sedada e meus óvulos foram retirados para serem fecundados. Encaminhada para uma sala de recuperação, acordei com o dr. Roger apalpando os meus seios. Meio sonolenta, pensei: 'Acho que estou sonhando, não é real, é coisa da minha cabeça.' Meu marido estava me aguardando na clínica e fomos embora, numa boa. Mas fiquei com aquilo na cabeça, com medo de falar para qualquer um. Achava que eu tinha ficado com trauma por ele já ter tentado me beijar. Não engravidei nessa primeira tentativa de fertilização. Como tinha mais duas, retornei à clínica 50 dias depois. E fui molestada no mesmo processo. Acordando da sedação, ainda grogue, vi que eu estava com o pênis dele na mão. Ele viu que eu havia despertado, tentei me levantar, cheguei a sentar na maca. Aí, o dr. Roger abaixou o jaleco, disse 'calma, calma, calma', e saiu da sala. Saí na sequência, e não o vi mais ali na clínica. Fui chorando ao encontro do meu marido, que estava na recepção. Ele me perguntou o que tinha acontecido e eu disse: 'Tá doendo'. Mais tarde, meu marido até ligou na clínica pedindo algum medicamento para a dor. Mas eu teria de voltar na clínica para fazer a transferência (quando o embrião fecundado é implantado no útero da mulher), para pegar meu filho, claro. Bom, fui e fiz a transferência. Voltei para casa e aguardei dez dias para ver se dava certo. Não deu. Aí, eu fiquei mal. Estava irritada, muito gorda de tanto hormônio, com colesterol alto. Foi quando, em casa, disse ao meu marido que não queria mais ser mãe, que a experiência que tive com o dr. Roger estava acabando com meu físico e emocional. E contei para ele o abuso. Ele ficou revoltado, pensou em denunciar, mas não fizemos isso. Fui para um spa para emagrecer, quis ficar sozinha. Tempos depois consegui ter três filhos com a ajuda de um outro especialista em fertilização."
Hoje Ivanilde é presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo) do Estado de São Paulo. É sul-matrogrossense e mora em Sorocaba, cidade paulista de 577 mil habitantes que fica a 90 km da capital.
Na segunda-feira, a emrpesária pretende ir à Delegacia da Mulher e ao MP (Ministério Público) do Estado de São Paulo, para registrar a sua acusação, juntando-se a outras mulheres que depuseram na condição de vítimas do médico. Na última contagem, elas eram 35.
Até sexta, 16, Adriano Salles Vanni, advogado do médico, queixava-se do fato de não saber dos nomes das ex-pacientes que fazem as acusações. Agora já tem o nome das duas mulheres e , provavelmente nos próximos dias o exemplo de coragem delas será seguido por outras vítimas.
Ainda que seja improvável que mais de 30 mulheres que não se conhecem estejam mentindo, a Justiça garante ao médico ampla direito de defesa. E é só a Justiça que condena. E é assim que ter de ser.
Mas, confirmadas as denúncias, este será o maior escândalo já registrado na história da medicina brasileira.



por Paulo Roberto Lopes, jornalista
http://e-paulopes.blogspot.com/2009/01/ivanilde-acordei-e-vi-que-estava-com-o.html
link do postPor anjoseguerreiros, às 15:40  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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